Cheia de sonhos intensos... talvez quisesse dançar, ser escritora, médica, doutora, advogada. Talvez não gostasse de giló, não tivesse namorado, mas provavelmente pensava em casar e ter sua própria família. Quem sabe sua sobremesa favorita fosse torta de morango, preferia seus cabelos soltos e adorasse uma calça jeans.
Entre amores, trilhando seu caminho, apoiada no carinho de pais e amigos, como todos nós... como cada um de nós. Foi surpreendida por um câncer.
Não a conhecia. Sei que ela tinha a minha idade. A família lutou. Ela lutou. Submetida a quimioterapias, procedimentos invasivos, internações hospitalares. Perdeu os cabelos, as feições com certeza mudaram e suas preocupações e ansiedades tiveram uma reviravolta.
E por mais que tentemos imaginar, só quem vive a situação e sua gravidade conseguem sentir a intensidade das mudanças.
Tento me colocar em seu lugar. Tento colocá-la no lugar de alguém que amo e conheço profundamente pra tentar ter uma pincelada da dor que a família sente nesse momento.
Aos 24 anos ela teve sua vida interrompida. Podia ser comigo. Podia ser com alguém que amo. Podia ser com vc. Não estamos imunes a nada disso, e a morte me faz refletir, me dói, me sufoca. Ela tinha a minha idade... e já acabou pra ela.
Quais seriam seus planos, sonhos e metas? Quantas pessoas a amavam? Quantos "eu te amo" ela pode ter dito ou deixado de dizer? Não importa mais. Acabou... e poderia ter acabado pra mim.
Morte não respeita idade, sexo, raça... ela vem. Pode demorar, pode ser hoje, amanhã. Ela vem.
A vida é agora. O que você tem eu tenho feito?
.